29 de março de 2012

Nasci Pra Viver


Já chorei assistindo ao Chaves,
já pensei que o mundo não tem jeito,
já desisti de desenhar as claves,
já me calei mesmo doendo o peito...
já falei quando não devia,
já matei a aula e já matei fome,
já morri de rir e jamais mataria,
já perdi a hora, já esqueci um nome...
já sonhei e já dormi em pé,
já fingi que dava atenção,
já me zanguei, já pensei na fé,
já suei e já tive razão...
já amei e não paro nunca de amar,
já vivi o que não quis viver,
já sei que não posso imaginar
o quanto que ainda vai me aparecer!

27 de março de 2012

Espere Da Vida

Espere da vida
que a vida não seja
caixa de tristezas
ou desilusão,
pois muitos serão
os dias de dor,
de raiva e de cão.
Mas sempre aparecem
os dias de paz,
a calma, o amor,
vitórias e mais...
Não queira ver
o dia passar
sem tê-lo ajudado
a se perpetuar,
pois cada palavra
que o mundo disser
é o tempo querendo
ser mais que pequena
lembrança ou vento
na sua janela
que vive a vagar.
Queira que o dia termine
só quando o amor
se desesperar,
porque o amanhã
há de chegar
trazendo a calma
e consolo pra alma
do mal que passou,
como sempre passa
tudo de ruim
que um dia chegou.

23 de março de 2012

Antes de Casar


O Pedro de pedra
pechincha a panela
que nem quer comprar.
Não paga por ela
pois pede à mulher
que se apresse em levar.

Maria, menina esperta,
me manda à janela
para contemplar
O mais magricela
e também banguela
que já viu passar.

Pedro sentiu a canela,
o joelho e a testa
doer sem parar
quando sua mulher
pro magro deu trela
e saiu a dançar.

Maria, risonha e alerta,
avisou bem depressa
que queria olhar
uma panela daquelas,
comprar em parcelas
antes de casar.

Eu, com cautela,
disse para bela
não se preocupar:
“vou atrás dela
e já levo as moedas
pra à vista pagar!”

22 de março de 2012

Deixe

Deixe nascer
a flor no deserto,
a água na rocha,
a gentileza nas ruas,
a sorte no amor,
um gesto de bondade,
o perdão na discussão,
mãos dadas na guerra,
a guerra pela paz.
Deixe viver
o olhar inocente,
o tempo coerente,
os dons que Deus dá,
a foz da tristeza,
o nojo da maldade,
a alegria do ser,
o amor no coração.
Deixe ser
para sempre
tudo aquilo
que envolver amor,
pois só tem felicidade
e só te traz sabedoria
o que, com carinho,
se constrói
e que não dá pra destruir.

20 de março de 2012

Da Parada de Ônibus

“Picolé, cremosim...”
“Olha o vale e o dindim!”
“Sol quente do diacho!”
“Carne de bode, carne de gado...”
Este sou eu,
esperando o que vem sempre lotado,
querendo chegar no lugar desejado
para levar comigo do lado
a alegria dos momentos passados
e o aprendizado do que eu tiver aguentado.
Essa é minha Teresina,
sempre disposta a ser grande,
num crescimento constante,
que agora tem até mirante...
um sorrir a todo instante
pra quem percebe estar diante
de tantas situações deselegantes
e comicamente tocantes...
Essa é a nossa vida:
querendo ser certa de si,
segura e fraterna até o fim,
sem erro e pronta pra agir,
seja no “não”, seja no “sim”,
a par de tudo que se passa aqui,
com a dona Maria ou com o seu Joaquim,
espantando o que há de ruim...
acolhedora como um jardim,
embora o certo seria proferir
que acolhedor de verdade nas bandas daqui
são os bancos de uma praça,
as cadeiras das portas das casas,
as cheias e confusas paradas
e os balcões de um velho botequim.