7 de março de 2015

Recomeçando do Começo


“Por onde devo começar, majestade?” perguntou o Coelho Branco ao Rei e o Rei, (em bom piauiês:) “nem besta nem nada”,  ordenou que o Coelho começasse pelo começo e que continuasse até chegar ao fim e depois parasse. Ignorância?! Talvez...

Se, no lugar do Coelho Branco, eu tivesse a chance de ser o bedel do Rei do País das Maravilhas, ficaria em dúvida frente à feitura ou não da pergunta que me veio à mente: por onde devo recomeçar?!

Por sorte ou azar, não estou no País das Maravilhas e eu, tampouco, sou um coelho de olhos rosados – na verdade, a única coisa rosada que tenho é a casa. De qualquer modo, eu já respondi essa pergunta antes mesmo de perguntá-la. Eis, pois minha resposta: http://rivanildosilva.blogspot.com.br/2015/03/duas.html.

Com efeito, comecei pelo recomeço – ou seria recomecei pelo começo? Muito bem, parece que estou mesmo no País das Maravilhas, pelo menos no País das Maravilhas da Linguagem, então, se minha licença poética me permite, acho que dá no mesmo!

Comecei pelo recomeço – ou recomecei pelo começo –, isto é, comecei escrevendo a quem me inspirou a criação desse blog, a quem me inspirou a criação de algumas canções, a quem me inspira a criação de uma literatura, a quem me inspira uma vida de poesia, muito mais do que uma poesia de vida. Obrigado, amor!

Enfim, espero não esquecer que o futuro a Deus pertence e que cada letra que escrevo são as pistas que vou deixando a fim de não perder-me no caminho (opa! Essa é outra história, não é a do País das Maravilhas!!!). Então, antes que eu me perca, vou dando meu “até logo”, para voltar o mais rápido impossível!

3 de março de 2015

Duas

Saímos da mesma fonte,
da mesma junção de ingredientes,
é claro que tu tens um matiz mais abrangente,
sou menos colorido,
é por ti que me divirto...

Somos fruto do mesmo sopro,
firme, forte, infinito,
que nos chama ao retorno de onde vimos,
mas que, na passagem,
deu ao outro nossa mão.

Somos voantes pelo mesmo vento,
com uma diferença de quando nascemos:
tínhamos, cada um, duas asas...
agora nós...
nós temos quatro!

19 de janeiro de 2013

De Frente Pro Crime - Parte I



Ali estava a cena do crime: os três entreolhando-se, o corpo no chão. Nada mais descreveria melhor a cena que um cajueiro fazendo sombra aos quatro e a pracinha ladeada pelas ruas de pedra que muito fizeram joelhos sangrarem, nas corridas dos meninos. As outras árvores – às quais não me cabe catalogar a espécie – escondiam o dono da vida que foi tirada.
***

Dona Joana cuidava carinhosamente daquele a quem ela chamava, com um jeito meigo e verdadeiro, de filho. Santiago não concordava, achava aquilo absurdo: para ele, filhos de verdade eram os outros três. Todos meninos, tinham a mesma idade, os três tinham facilidade de arrumar brincadeiras novas, ao tempo em que desarrumavam tudo que a mãe, com zelo, deixava no lugar. Santiago exercia certa pressão sobre os filhos para não contrariarem tanto a mãe, mas o pai se via naqueles três garotos, donos de vitalidade incomparável, que logo se tornariam homens.

Apesar das diferenças, desavenças e descrenças, normais de qualquer lar e em qualquer época, é possível dizer com moderada certeza que a felicidade fazia morada naquele lugar até o tempo passar e trazer a festa da carne – o tal carnaval.

Há muito os três não se juntavam para passar um tempo juntos, foi aí que veio a grande ideia:

 – Que tal irmos brincar na praça?

Mas uma pergunta ficava no ar: já não estariam ambos um tanto velhos para brincar naquela praça? Ninguém mais brincava ali. Desde que os vizinhos começaram a despejar seus resíduos naquele, antes, ponto harmonioso de encontro e de divertimento. Questão que sempre os fizeram pensar sobre o que haveria aquela praça de tão parecida com terrenos baldios ou aterros.

Em nome dos não tão velhos tempos, foram. E, também em nome de algo nem tão honrado assim, mas que também possuía grande efeito sobre eles, levaram o filho querido de dona Joana.

Pode parecer coisa planejada, mas não. Nenhum deles demonstrava ódio ou rancor do quarto integrante da segunda geração daquela família. Mas há uma linha muito tênue entre o não demonstrar e o não perceber a vontade. E quando a memória atraiçoa um homem, tornam-se nebulosas a realidade e as consequências das ações presentes. Imagine o que não pode causar essa traição da memória em três homens e a um quarto irmão, nenhum pouco desejado... Se os fins justificam os meios e se justificação é algo importante, as conclusões - se elas vierem - das ações narradas a seguir hão de esclarecer muito... (...)

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Não teria graça alguma terminar a história aqui, não é mesmo? Outro dia, eu ponho o fim... 

17 de janeiro de 2013

Ao Seu Carlos

Escrito no dia 31 de outubro de 2012 e postado só agora por falta de alguma qualquer coisa deste que agora para de escrever besteira antes dos bobos tercetos abaixo...




No meio da pedra tinha um caminho
que amava Lili
que largou o José.

E ali vai Raimundo, querendo sozinho
dar o melhor de si
de pétala em flor, por onde quiser...

E o mundo caduco deixou o menino
velho poeta maduro assim
anjo torto de uma só mulher.


PS¹: em 31 de outubro passado, celebrou-se 110 anos de nascimento do nosso poeta de sete faces, o itabirense mais famoso do mundo: Carlos Drummond de Andrade.

PS²: Só Deus é capaz de saber o porquê desta postagem hoje (aparentemente nada a ver, embora nunca seja sem motivo uma homenagem a um gigante como o seu Drummond), mas, como diria outro poeta: "não sei qual foi a causa e quais serão as consequências... não sermos literais às vezes faz nossa beleza...".

PS³: Meu primeiro contato com o Carlos Drummond de Andrade foi quando um(a) conhecido(a) - o(a) qual terá gentilmente o nome preservado - me informou que Drummond era um grande aviador brasileiro que deu um passeio no seu meio de locomoção favorito: o 14 bis. [Risos suprimidos e subentendidos].

21 de dezembro de 2012

O Papel De Cada Um



Longe de mim ser um defensor atroz das coisas antigas em detrimento das recentes, tampouco um saudosista ou nostálgico ou qualquer terminologia do tipo. Amo e odeio o moderno do mesmo jeito que amo e odeio antigo. Mas o que me interessa neste instante é a primazia do impresso, escrito, desenhado, rabiscado, rascunhado em papel.

Demorou muito para chegar ao papel que temos hoje, às formas de gravar coisas nele, talvez por isso ele nunca saia de moda. Mesmo com a internet e os livros digitais, PDF e outros, nada substitui o cheiro do livro e o rasgar do plástico, quando ele é novo; quando velho, nada melhor que as páginas que, como uma criança pequena, pede delicadeza ao extremo... sem falar nas anotações dos outros portadores daquele livro: é legal a tal conexão que se cria entre tantas pessoas por causa de um livro.

Não queria apelar nesse meu texto, mas é preciso: dê de presente um livro, mesmo que comprado na internet, mas um livro, desses de capa e páginas, depois compre um ebook para presentear. Calcule qual deu satisfação maior. Não para o felizardo presenteado, mas para você. É impressionante como o prazer de um presente está mais em quem presenteia do que em quem recebe. Não sei se é loucura só do louco aqui.

Outra apelação: experimente ler um livro antes de dormir... Quando se der conta que caiu no sono e que já está no outro dia, não haverá problema ter deitado por cima do livro, ou deixá-lo de lado na cama; agora, já pensou fazer isso com um tablet, ipad, smartphone ou o etcétera e tal?


Guardo desde sempre tudo que já recebi escrito. Costumo colocar todas as cartas (tirando as de cobrança), bilhetes, fotos e outros mais debaixo do meu colchão. Já pensou um monte de pen-drives e outros eletrônicos do gênero dormindo embaixo de mim toda noite? Como eu poderia ter que esperar um sistema todo iniciar para ver uma homenagem que me fizeram? Vou além: como eu poderia esperar um sistema iniciar para escrever algo?

Uma defesa ao impalpável eu preciso fazer: as redes sociais e a internet têm sido um meio de divulgação, circulação e até mesmo criação tão imenso que é inegável a sua importância para o conhecimento cultural. Tem tanta gente boa escrevendo coisa tão boa que cada vez mais atesto que seu nome não precisa ser muito sonoro, tampouco bem patrocinado para ter ali, no que é escrito por você, coisas maravilhosas.

O certo é que não deve haver uma competição entre o livro tradicional e os livros digitais e sim uma cooperação. As duas formas servem para disseminar (e tentar descentralizar) a cultura, uma mais acessível do que a outra, mas as duas ainda muito distantes de milhões de brasileiros que também precisam da cultura literária. Na página ou na tela cada um tem seu papel e deve desenvolvê-lo da melhor maneira possível: dar a quem o utiliza a chance de viver melhor.

Escrevo esse texto no computador e vou postá-lo na internet, nada que eu ou alguém possa levar para debaixo do seu colchão ou para a mesinha do lado da cama (pois não gosto de caçoar da mudez do criado), mas que – espero eu – encha quem o leu de ideias para levar consigo, não só para o sono, mas para toda a vida.


Imagem 1: http://www.naniesworld.com/2010_07_01_archive.html
Imagem 2: http://www.mudandodeassunto.com/livro-impresso-x-e-book-a-batalha-que-nao-deveria-acontecer/
Imagem 3: http://paneetvino.blogspot.com.br/2012/03/charge-de-hoje-livros-e-internet.html