10 de maio de 2011

A Meninazinha

Escrito há alguns meses, quando eu ainda não conhecia essa meninazinha. Escrevi isso olhando pra ela de longe. Hoje, não faria mais algo assim...

***

Eu já sou apaixonado por sorriso,
naturalmente,
mas percebi que riso desconhecido
tem um brilho diferente,
misterioso, escondido,
quando me apareceu a menina,
que até já lhe havia escrito
(ela coube em outra rima).
Então vim falar só dela,
a menina do sorriso bonito!
Aquela do riso simples
e que nunca acaba...

“Alegria é a melhor coisa que existe”
e só por isso,
tô escrevendo pr’alguém
que nem conheço direito,
que só vejo de longe
como vejo também
tantos outros distantes
que cruzo nos corredores estreitos.

Pois é, meninazinha!
Não dá pra escrever muito de ti
porque só amo o teu sorriso.
Dá para escrever muito,
como deu pra ver aqui,
porque não te conhecer
me fez escolher bem
as palavras pra você.

“A hora do sim é o descuido do não!”
e nós ainda estamos no ‘não’,
no olhar e tirar a vista
por causa da distância
efêmera, porém em questão!
Até algum dia, então...
e se não souber quem sou,
basta saber que sou o cara do violão.
Pra saber mais de mim, basta saber:
costumo ficar de recuperação;
gosto de rir e de estar a disposição;
sou filho de Deus e Ele é o meu patrão;
quase não assisto mais televisão;
não ouço swingueira, só canção;
não sou governista nem sou de oposição;
gosto mais de ‘sim’ do que de ‘não’;
sou dos que comem arroz com feijão;
e dos que pensam e vivem em função
do amor, do riso e do coração.

8 de maio de 2011

Jobim Sinfonico - Se Todos Fossem Iguais a Você



Não tinha como escrever algo que fosse à altura das mães (às minhas e às de todos nós), por isso resolvi pedir a ajuda de nossos grandes amigos Vinicius de Moraes e Tom Jobim, interpretados pelo nosso outro grande amigo Milton Nascimento...

Feliz dia das Mães: às mães de hoje e às mães de amanhã; às que são mães sem ter dado a luz; às que se veem como mães e às que escondem o desejo de ser; às que são mães de seus amigos e às que são mães de si próprias... todo dia é dia de vocês, mas hoje é um pouquinho mais especial!

Ser mãe é mais do que ser um pouco mais mulher. Ser mãe é ser também muito mais humana e muito mais do que Deus quer!

6 de maio de 2011

Teresina Rock


Que me perdoem os fãs do Piauí Pop, do Festival de Inverno de Pedro II, da Micarina, do Piauí Fest Music, do Rock in Rio... mas bom mesmo é o Teresina Rock. Tudo bem que o evento não existe pra fazer competição com os demais. Mesmo sem o reconhecimento que deviam, as bandas piauienses não precisam competir - já são maravilhosas sem essas besteiras.

Nem só de reconhecimento vive uma banda, mas é sempre bom prestigiar esses talentos que orgulham tanto a poucos e que poderiam fazer parte da vida de milhões que nem conhecem a música de seu próprio estado.

Junto com o 28º Salão Internacional de Humor do Piauí (um dos maiores eventos do nosso calendário), acontecerá o Teresinar Rock. Pra explicar o que isso, nada melhor do que pôr aqui o release do evento e o link para maiores e melhores informações...

"Repleto de grandes novidades, o Teresina Rock deste ano promete ser um sucesso ainda maior do que as edições passadas. Sendo consagrado como um evento dentro do próprio Salão Internacional de Humor, o Teresina Rock, que acontece dos dias 9 a 15 de maio, já aderiu às agendas dos grandes festivais do estado. Isso porque sempre promove shows com as melhores bandas do circuito alternativo piauiense. Mas em 2011 não serão apenas as bandas locais que terão o prestígio de subir ao palco montado na Central de Artesanato, localizada na Praça PedroII, no centro da cidade. Chegamos, então, à maior novidade deste ano: o Teresina Rock vai contar,com o grande som de três bandas nacionais para agitarem ainda mais a noite ao lado de dignos nomes locais. O multi-artista Zéu Britto, a banda pernambucana Mombojó e a metálica Korzus são os nomes confirmadíssimos para o festival de 2011."

http://www.teresinarock.com/

* Todas as imagens são do site oficial do evento.

2 de maio de 2011

Vento de Maio

"Oi você, que vem de longe
Caminhando há tanto tempo
Que vem de vida cansada
Carregada pelo vento
Oi você, que vem chegando
Vá entrando, tome assento

Desapeie dessa tristeza
Que eu lhe dou de garantia
A certeza mais segura
Que mais dia, menos dia
No peito de todo mundo
Vai bater a alegria

Oi, meu irmão, fique certo
Não demora e vai chegar
Aquele vento mais brando
E aquele claro luar
Que por dentro desta noite
Te ajudarão a voltar

Monte em seu cavalo baio
Que o vento já vai soprar
Vai romper o mês de maio
Não é hora de parar
Galopando na firmeza
Mais depressa vais chegar"
Torquato Neto

1 de maio de 2011

O Dezoito


Texto escrito há alguns meses. Quando acabara de fazer dezoito anos...
***
Ganhei as chaves de casa! Agora eu já posso chegar depois das dez, já posso votar, já posso tirar a carteira de motorista, já posso ser preso, já posso até trabalhar (isso eu, por enquanto, passo). Essas e outras pareciam ser as consequências dos dezoito anos. Com dezoito anos e alguns dias, percebo que muito disso é ilusão. Mas o que seria de nós sem a ilusão? Sem o deleite de sonhar com o ideal?

A menina, aos quinze, debuta e por isso se sente mais mulher, mais livre. Já pode namorar e dizer para os pais que namora. Namorar mesmo, há tempos já o fazia. Os pais, que de bobos não têm nada, já sabiam que a menina já era flor cheirada há muito tempo, apenas fingiam não saber ou queriam não acreditar.

O menino, aos quinze, continua sendo menino. Nada aconteceu de extraordinariamente diferente. O homem não tem o ciclo menstrual para dizer que passou de uma fase para outra. Homem mesmo ainda demora. Estou me convencendo de que nem com os dezoito vem o reconhecimento da masculinidade. Acontece que aos quinze o menino é menino e aos dezoito ele só é “uma tirinha” mais crescido.

A maioridade penal tem um peso grande. De resto, nada mais é diferente. Quando eu tinha dezesseis já parecia ter dezoito. Não mudou muito. Muda mesmo pra quem tem dezoito e tem cara de dezesseis. Aí os documentos entram em ação!

Opa! Já ia esquecendo... muda sim! Com dezoito, as meninas de quinze começam a olhar diferente. O garoto, sonhador com as de 21, percebe que as debutantes riem mais com as besteiras juvenis que saem da boca do que acabara de completar dezoito (olha só que discriminação: quem faz dezoito nem nome tem!). Parece que ter feito dezoito fez o cara ficar mais atraente, pelo menos para as mais novas.

Falam da variação do humor... nem ando sentindo muito isso não. Parece acontecer muito mais no pré-dezoito e no pós-quarenta. Ao meu redor, os de dezoito ouvem mais e falam mais também. Brigam menos e discutem mais. Cobram e se indignam quando outros não cobram e têm um cuidado com os estudos diferente dos que lhe sucederão. Talvez aí mora uma diferença.

O que eu esperava (com desconfiança) era mais respeito e mais confiança dos mais velhos. Pra quem é mais novo, nós, os de dezoito, já somos confiáveis e respeitáveis (muito embora alguns não sejam tão respeitadores), porém os mais velhos... Parece que nunca o girino vai virar sapo. Nossas opiniões são infantis e nossas decisões provisórias. Não generalizo, mas eis aí uma coisa que os “maduros” poderiam aprender conosco: a provisoriedade das nossas decisões. Mudamos de opinião quando nos convencemos. Nossa cabeça ainda não está tão dura.

Tudo bem que isso não acontece com todo mundo e tudo bem que todo mundo tenha queixa com algum recém ganhador da maioridade. Isso é perfeitamente compreensível! Muitos de nós damos motivos de sobra para tais pensamentos. Só gostaria que os “maduros” não se vissem como maduros e os jovens não se vissem como “verdes”. E aqui não falo dos “maduros” como sendo os adultos. Falo dos “maduros” de todas as idades. O rio corre na terra encharcada e na terra seca. Da mesma forma, a vida é vida para os maduros, verdes, até para os que pensam estar apodrecendo. E ninguém vive já sabendo de tudo. Enquanto houver vida, haverá coisas para se aprender. Será preciso até aprender a ensinar, que é para onde todo ser humano caminha.

E com uma pequena inclinação pelo velho, agora já me sinto mais à vontade para dizer que ouço Eric Clapton e que gosto das canções de Noel Rosa. Com dezoito, as opiniões são um tantinho menos questionáveis. Já se aceita mais. Pelo menos entre os outros jovens. E que bom que existem jovens de quarenta, de sessenta e que ainda existem jovens de dezoito.